Enxugando gelo
Enquanto os gringos da Associated Press foram barrados no salão oval do governo dos EUA por se recusarem a chamar o Golfo do México pelo nome decretado pelo governo ("barrada após se recusar" e não barrada "por" se recusar, na percepção do O Globo), o UOL toma como verdade a perspectiva de quem privilegia, no caso, a Sabesp privada, que culpou os moradores por um vazamento de esgoto na rua Augusta e não tem jornal nem órgão público que possa verificar se é culpa mesmo dos imóveis ou não, afinal a coisa pública-privada tem dono, e o que o dono determina sobre o que possui é lei - assim como as fontes da Folha de S. Paulo dizem que o Carrefour da França está fazendo com as ações do Carrefour do Brasil, que eles não querem vender por aí para evitar atrair um comprador não francês, ou não alinhado com os investidores atuais, afinal o mercado só é livre quando se trata de deixar tudo mais caro para os donos lucrarem às custas de o povo ficar à míngua.
Mas talvez eu esteja fazendo falsos paralelismos como o responsável pela mini solução final contra os imigrantes dos EUA, Tom Homan, fez entre os muros do Vaticano, onde não nasce ninguém (mesmo que um bebê nasça lá ele é registrado na Itália, se não me engano) e a princípio qualquer um sempre pôde entrar, com os muros e as grades do autoritarismo trumpista.
Pode ser que escrever sobre tudo isso seja se esmerar para enxugar gelo e, portanto, me qualifique para ser deputado federal e aprovar leis que já existem, ou virar um portal de notícias, que apresenta isso como uma iniciativa da Câmara mas só lá no fim (não muito no fim, para não chamar tanta atenção) revela que eles encontraram uma solução para um problema que já tinha sido encontrada e já estava valendo - se bem que, para ser justo, isso foi (ao menos) mencionado.