Meus palpites sobre Irã e teoria política:
A esquerda anda toda cagada no Brasil, por que ela abandonou a categoria mais importante para a interpretação do mundo desde Lenin: o imperialismo.
Sem essa categoria política, como forma de capturar eventos análogos e de natureza semelhante, se perde a principal contradição do atual sistema de dominação.
Uma experiência histórica política que busque qualquer grau de soberania econômica (desde RPDK até Líbia) está sob constante agressão de uma força imperial que gasta U$1 Trilhão em poder militar de projeção de força, mais bilhões e bilhões e bilhões, em inteligência e manipulação para garantir seus interesses.
Nesse raciocínio, o primeiro critério de se um processo histórico é defensável é se ele atua contra a força imperial. Qualquer um que se levanta contra o peso imperial dificilmente vai fazer sem elevar suas contradições internas.
Quando essas contradições se elevam e surgem conflitos internos, por pressão externa ou interna, o critério de avaliação, na grande luta de classes, deve ser se esse conflito de classe aumenta ou diminui o poder popular, desde que não aumente a submissão do império (a contradição primeira como diria Mao).
Daí o fato de setores da esquerda radical terem posições tão distintas, separados em duas posições principais (e os progressistas que não considero esquerda): aqueles que interpretam o atual sistema de dominação como poli imperialismos. Defendem Rojava, ainda que seja um processo que foi protegido pelo império, mas abandona Venezuela e Irã. Por que a principal contradição para eles é a relação simbólica/moral do povo com o poder imediato. Por que o poder do capital é racionalidade, portanto, abstrato e fluido e deve ser enfrentado com ideias, com elevação da consciência. Daí descambar pro academicismo.
Quem interpreta como imperialismo de sistema que se concentra em um grupo de pessoas, sabe que é nos afetos que tá o poder da mobilização, portanto direcionar o ódio é o motivador principal da luta de classes e da coerência de um projeto com todas as flutuações internas. Por exemplo, URSS se enfraqueceu mais e mais rápido a partir do XII congresso do PCUS ao afirmar que o socialismo estava plenamente construído, era o fim do período de transição (portanto superada a ameaça do império podendo existir uma coexistência pacífica); do que a China que reabsorveu a lógica do capital mas não apagou o conflito de classe contra o império nem a transição socialista. As transformações na URSS colapsaram o processo em menos de 30 anos, os recuos no modelo chinês vai fazer 50.
Mesmo os indígenas sem marxismo nos dão aula de luta de classes mantidas pelo ódio há mais de 500 anos (inclusive ouçam o recém podcast do Guilhotina sobre a Nega Pataxó).
Nesse caso do Irã, eu vejo uma experiência histórica que é anti imperialista, mas no levante popular eu ainda não vejo um projeto de aumento de poder popular SEM recuar no controle do império. A principal figura de oposição é um Xá (reizinho nepobaby) que sequer vive no país.
Se abdicarem do ódio ao poder mais distante, mais difícil de alcançar, seu projeto societário fica mais sujeito a toda forma de controle externo. Por mais que alcancem algumas melhorias (e duvido, perguntem aos líbios), a situação geral da luta de classes no país e no mundo tende a ser enfraquecida pois passam a enfrentar um poder mais etéreo e distante.
O neoliberalismo e a globalização foram uma grande estratégia bem sucedida de confundir e invalidar a categoria de imperialismo, enquanto o império se reorganizava para mais um avanço brutal com intensidade semelhante aos seus piores momentos - qual a diferença entre Gaza e o colonialismo e nazismo, para além de os instrumentos de propaganda do império nos esfregando na cara sua brutalidade?
O imperialismo capitalista se manifesta no burguês, nos indivíduos, ainda que seja uma racionalidade, ele se concentra e se concretiza na burguesia ainda que dela prescinde (diferente do poder do monarca). Esse poder não se transfere sem disputas internas de frações burguesas e suas diferentes estratégias de dominação, selecionada na práxis política do exercício da dominação. Nesses momentos de reconfiguração surgem as janelas revolucionárias.
Eu acredito que o marxismo, por melhor interpretar o inimigo e seus conflitos internos que geram as oportunidades políticas, é o instrumento mais eficiente na resistência ao império, portanto de resistência à própria racionalidade do capital. Mas como ferramenta, depende de como é usado, só quem já tentou "pregar" um parafuso sabe que ferramenta não é tudo. Ainda que a ache a mais eficiente, nem de longe é a única.
A hegemonia da esquerda narcisista e purista ocidental nos trouxe direto ao momento de maior fragilidade contra a brutalidade imperial direta, desde o exemplo dos jacobinos negros.
O império agora mostra os dentes, congrega em si a união de todos os discursos desumanizantes (racismo, colonialismo, espaço vital, guerra às drogas, ao terror, supremacismo, genocídio, poder bruto) sem sequer tentar criar uma narrativa consistente de justificativa.
Começa a se reconfigurar numa aristocracia global que não exige mais subordinação aos seus interesses, mas vassalagem (Trump sobre Macron na questão do preço dos remédios é o que se não o monarca humilhando seu vassalo?).
Ou recuperamos o conceito de império ou nosso lugar vai ser o de vassalagem periférica. Poucas experiências coloniais foram tão degradantes aos seus povos que a da vassalagem periférica, distante do coturno que pisa em seu pescoço.
Qualquer um que se emocione e levante mais sua voz contra a retirada das redes sociais do Irã do que com os mercados de escravos na Líbia, que era o maior IDH de Africa até a chegada da democracia e liberdade, não tá na mesma trincheira ideológica.
Al Jazeera: Protestos de rua aumentam no Irã enquanto o país enfrenta um apagão da internet
Street protests grow in Iran as the country faces an internet blackout
Protests across Iran are growing as thousands of people voice anger at the dire state of the country’s economy.Al Jazeera

Austra lo Piteco
in reply to Austra lo Piteco • •Não só é um intelectual de merda, como é um inimigo das conquistas da classe trabalhadora e constrói seu argumento baseado em distorções gigantescas da história.
Começa menosprezando revolução francesa e russa por serem revoluções que degeneraram, portanto foram implantadas pela força, portanto totalitarismos (precisamos expulsar qualquer um que pense nos fundamentos de Arendt das nossas fileiras, qualquer um que use essa distinção entre política e violência... cada vez mais eu compreendo a necessidade de uma revolução cultural nos moldes chineses).
O que é uma revolução pro falastrão filho da puta?! Luteranismo!!!
Ele trata da revolução luterana como uma profunda revolução de consciências, ignorando justamente o que ele criticou na revolução francesa. Não foi através de... Show more...
Não só é um intelectual de merda, como é um inimigo das conquistas da classe trabalhadora e constrói seu argumento baseado em distorções gigantescas da história.
Começa menosprezando revolução francesa e russa por serem revoluções que degeneraram, portanto foram implantadas pela força, portanto totalitarismos (precisamos expulsar qualquer um que pense nos fundamentos de Arendt das nossas fileiras, qualquer um que use essa distinção entre política e violência... cada vez mais eu compreendo a necessidade de uma revolução cultural nos moldes chineses).
O que é uma revolução pro falastrão filho da puta?! Luteranismo!!!
Ele trata da revolução luterana como uma profunda revolução de consciências, ignorando justamente o que ele criticou na revolução francesa. Não foi através de Lutero e a não mediação religiosa (que se manifestava de diversas formas já que o catolicismo era a força e racionalidade dominante), que institui uma nova consciência. Lutero, assim como a reação termidoriama na revolução francesa, foram a reação contra o processo emancipatório de Thomas Müntzer e as Guerras Camponesas. O luteranismo não é pai dos direitos civis, políticos e sociais, é a concessão possível arrancada deles, é parte da reação. Lutero defendeu os massacres contra os camponeses rebeldes.
Aí o desgraçado sai de perto Lutero e qual o outro grande evento político de relevância, pra esse parasita da academia e do progressismo, em mais de 400 anos de história, ignorando toda a resistência colonial, inclusive a revolução chinesa?! A contracultura! É uma piada, um disparate, uma pantomima intelectual, uma patuscada acadêmica.
E eu nem cheguei agora 10 minutos!!!!
O grande objetivo político da nova revolução? Educação universal, comunicação pública. Ponto.
Foda-se o poder político, econômico e das armas. É só trocar ideia. O exemplo de sucesso do boçal é Alemanha dos anos 80, antes da queda do muro de Berlim, a existência do muro não tem implicância nem importância nenhuma pra introdução dele.
Vontade de curar a língua presa desse canalha no tapa!
youtube.com/watch?v=RMsUHuX0tx…
austra_lopiteco
Unknown parent • • •Pior que ontem eu tava lendo sobre outro filho da puta que tinha ressalvas em ofender o status quo e renegava qualquer experiência "violenta'
dashthered.medium.com/the-anti…
the-anti-chomsk%C3%BFng-66dcd8224729
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